Porsche

Dr. Ing. h. c. F. Porsche AG, mais conhecida simplesmente como Porsche AG ou Porsche, é uma fábrica alemã de automóveis desportivos, fundada em 1931 por Ferdinand Porsche e seu filho Ferry Porsche.

História

Ferdinand Porsche

Nasceu em Maffesdorf (então na Áustria, hoje na República Checa), o 3 de setembro de 1875 e foi o terceiro dos 5 filhos de Anton Porsche, engenheiro e empresário. Desde adolescente interessou-se por experimentar com a energia eléctrica. Em 1893 entrou a trabalhar em Brown Boveri, Viena, uma empresa do sector eléctrico. Demonstrou ser um grande profissional e ascendeu rapidamente. Para 1898 passou a fazer parte da divisão de automóveis de Jacob Lohner, também em Viena. Na exposição universal de 1900, em Paris, apresentou-se o carro eléctrico Lohner-Porsche, propulsado por 4 motores eléctricos integrados nas rodas do automóvel.

Ferdinand pilotou seus próprios desenhos em carreiras a princípio do século XX obtendo algumas vitórias. Em 1906 converte-se em director técnico de Austro-Daimler. Porsche ganhou em 1910 a Prinz-Heinrich Farht com um Austro-Daimler, ocupando outro de seus carros a 2ª praça. Posteriormente é ascendido até director geral. Em 1922 o Sascha ganha a famosa Targa Florio em sua classe (motor de 4 cilindros e 1.1 litros)

Em 1923 é contratado por Mercedes como director técnico. Ali encarrega-se de desenvolver os motores com compresor da marca, ganhando em 1924 a Targa Florio na classificação absoluta. Méritos que lhe fizeram ser nomeado doutor honoris causa em engenharia pelo Technische Hochschule de Stuttgart. Porsche deixou seu impronta em Mercedes-Benz para toda a história, já que se encarregou do desenho dos magníficos Mercedes-Benz S, SS e SSK.

O escritório de projectos

Depois de um breve passo por Steyr, criou seu escritório de engenharia e desenho o 25 de abril de 1931 em Stuttgart. O primeiro projecto denominou-se nº7 porque não queriam que se soubesse que era o primeiro. Seu primeiro encarrego relevante foi o de Auto Union para um monoplaza de grande prêmio com motor de 16 cilindros: o Auto Union P-Wagen (Porsche tipo 22), que ganhou uma da cada duas carreiras nas que participou.

Porsche pensava desde fazia tempo a construção de um automóvel de qualidade e popular, que não fosse uma versão de brinquedo das berlinas tradicionais. Este desejo pôde materializarse graças ao encarrego recebido por parte da administração nazista durante o ano 1934. Desta forma na oficina de projectos de Zuffenhausen (Stuttgart) nasce o primeiro prototipo de prova Volkswagen Escarabajo denominado "V 1", a este lhe seguiram outros prototipos como o "V 3" e finalmente o "VW 30". Então corria no ano 1938 e a guerra estava a ponto de estallar, com o que os planos para produzir em massa o Escarabajo ficaram estacionados, se fabricando em 1940 uma versão militar do Escarabajo.

A 2ª Guerra Mundial

Durante a guerra o estudo de Porsche ocupou-se do desenho de material bélico como o tanque Mouse ou a versão anfibia e todo o terreno do Volkswagen (Kubelwagen e Schwimmwagen).

Os bombardeios aliados forçaram ao translado da Porsche desde suas instalações de Zuffenhausen a Gmünd, Áustria, em 1944. Em 1945 foi preso e encarcerado na França durante 22 meses por ter desenhado veículos militares para os nazistas. Este período de presídio prejudicou a saúde do Dr. Porsche e obrigou a seu filho Ferry a tomar o comando da empresa. Em sua ausência, Ferry Porsche desenhou o Cisitalia de competição para o industrial italiano Piero Dusio, projecto que foi revisado por Ferdinand a sua saída de prisão e que lhe encheu de orgulho pelo bem realizado que estava o trabalho de seu filho. Ferdinand morreu o 30 de janeiro de 1951, vendo circular pela estrada os desportivos com seu nome.

Ferry Porsche

Ferry Porsche nasceu o 19 de setembro de 1909, foi colaborador de seu pai desde que em 1931 abrisse seu próprio escritório de projectos e foi adquirindo responsabilidades. Ferry foi o responsável pelo departamento de investigação e desenvolvimento no projecto Volkswagen. Ferry junto a Karl Rabe e Erwin Komenda começam em 1947 o estudo de um desportivo biplaza sobre o Volkswagen, o projecto nº356 que converter-se-ia no primeiro Porsche 356, o primeiro da história da marca. O Porsche original é um roadster biplaza com motor central e carrocería de aluminio. O motor era de Volkswagen, mas modificado para dar 35CV a 4000 rpm. Este primeiro 356 era muito diferente dos posteriores 356 de série. Este prototipo saiu da oficina de Porsche em Gmünd (uma velha serrería).

Por motivos de custos e practicidad, o prototipo foi-se modificando para dar o 356 coupé com motor trasero, marcando uma tradição em Porsche até hoje. Em 1948 a produção do 356 na Áustria foi lenta porque faltava de tudo. A partir de 1949 melhorou o ritmo de produção. Porsche queria oferecer também um cabrio, mas não podia o fazer em Gmünd, pelo que pediu a participação da suíça Beutler. Assim, no salão de Genebra de 1949 se apresentaram pela primeira vez em um salão internacional os Porsche 356 coupé e cabrio.

Volta a Stuttgart

Em verão de 1949 preparam-se para o translado da produção a Stuttgart, já que sabiam que o exército estadounidense deixaria livre as instalações de Zuffenhausen ao cabo de um ano. A começos dos 50 assina-se um acordo entre Volkswagen e Porsche pelo que o primeiro fornece componentes ao segundo.

O último Porsche austriaco fabrica-se o 20 de março de 1951, depois de ter produzido uns sessenta coupés com carrocería de aluminio. Os novos 356 alemães serão com carrocería de aço. O primeiro destes sai em março de 1950. Em 1951, Porsche debuta oficialmente em competição, ganhando as 24 horas de Lhe Mans na categoria até 1100cc. No final de 1952 aparece o emblema de Porsche, composto pelos escudos de Stuttgart e Baden-Wüttemberg.

Em 1955 apresenta-se o 356A. Coincidindo com o 25 aniversário da fundação do escritório de desenho Porsche, sai da corrente de produção o Porsche nº 10000, um 356A coupé. Pouco a pouco os Porsche vão perdendo sua herança Volkswagen com motores a cada vez mais potentes e de maior cilindrada, como o demonstra o 356A Carreira 1500 de 1956 que desenvolvia 100 CV e atingia os 200km/h. Também na década dos 50 se incorpora a segunda fábrica em Zuffenhausen. No salão de Fránkfurt de 1959 apresenta-se o 356B. O 1 de novembro de 1960 entrou em funcionamento a fábrica nº3 e dois meses mais tarde sai o Porsche 356 nº 40000.

A última geração do primeiro modelo da marca saiu ao mercado em 1963 baixo a denominación 356C, que permaneceu em produção até o 28 de abril de 1965, após 17 anos de sucessos e 76.302 unidades fabricadas. Para então já tinha centos de 911 rodando pelas estradas.

O 911 e consolidação

Em meados dos 50, em Porsche pensava-se na necessidade de criar um sustituto do 356. Tinha que ser um carro novo porque a margem de evolução do 356 já era muito limitado por sua origem Volkswagen. Este novo modelo converteu-se na prioridade dos engenheiros e desenhadores da marca. Para sua concepção tinha só duas premisas básicas: o motor devia ser trasero e estar refrigerado por ar (como no 356). Nas posteriores reuniões entre Ferry e seus colaboradores foram-se concretando características do veículo: preferia-se um motor boxer, devia ser mais longo que seu predecessor para deixar mais espaço aos passageiros e a bicha do carro tinha que ser tipo fastback. Ao final decidiu-se sacrificar o espaço destinado aos passageiros traseros, deixando-o como um 2+2.

O desenho eleito para o novo modelo foi obra de Butzi Porsche, filho de Ferry, cujas formas básicas têm perdurado por 40 anos. Para o motor, a decisão final foi optar por um novo 6 cilindros boxer, refrigerado por ar, 1991 cc. e 130 CV. No desenvolvimento do motor interveio um jovem Ferdinand Piëch Porsche, o engenheiro que criou o Audi Quattro e que chegou a ser presidente do grupo Volkswagen.

Assim, no Salão do Automóvel de Frankfurt de 1963 se apresentava o novo Porsche 901. Peugeot reclamou o direito exclusivo de utilizar nomes de três cifras com um zero em médio pelo que, para evitar problemas, Porsche cedeu e o 10 de novembro de 1964 nasce a denominación 911.

Segundo a gama 911 se diversificaba com versões mais potentes, também se encarecía. Isto afastava ao 911 de muitos compradores potenciais. Por isso, e para dar um sustito de 4 cilindros ao 356, saiu uma versão económica do 911, equipado com um motor 1600 e equipamento reduzido. O 911 de 4 cilindros denominou-se 912, era um mais 25% barato e com 90 CV, ainda que renunciava às altas prestações. O 912 teve um grande sucesso tanto na Europa como nos Estados Unidos e em três anos se venderam mais de 30.000 unidades.

1969 foi um ano importante: renova-se o 911, que passa de 2.0 a 2.2 (em versões T, E e S com 125, 155 e 180 CV respectivamente) e o 912 é substituído pelo 914, modelo muito criticado mas que se vendeu bem. Durante os 70 o 911 seguiu evoluindo e aumentando de cilindrada e potência. Em 1973 aparece o 911 Carreira RS, versão desportiva pensada para a homologação para a competição e com 210 CV que em sua versão de rua se vendeu melhor do esperado. Em 1975 retira-se o 914 depois de quase 120.000 carros vendidos. Em 1974, o 911 sofre suas primeiras modificações estéticas de relevancia com a chegada do 911 2.7.

Na segunda metade dos 70 a gama foi-se enriquecendo e ampliando com novos modelos: o 930/911 Turbo, o 912E, o 924 e o 928. Este último tinha-se criado como sustituto do 911 e era radicalmente diferente: motor V8 atacante, refrigerado por água e um equipamento abundante e luxuoso. Em 1978, ao 928 outorgou-se-lhe o título de carro do ano na Europa, sendo o único grande turismo em alçar com este galardão. Seguindo a linha iniciada com o 924 e o 928, em 1981 une-se-lhes o 944.

Quando o 911 deveria ter concluído em seus dias baixo o peso do 944 e o 928, não foi assim, e em 1983 se lhe acrescenta uma versão cabrio ao 911SC. O 911, em vez de ir ao cemitério, renace em 1984. Recebeu um rediseño profundo e converte-se no 911 Carreira 3.2 com 231 CV, que terminou sendo uma das gamas mais amplas deste modelo: coupé, targa, cabrio, speedster, mais a opção turbo look e o próprio 911 Turbo 3.3 de 300 CV.

Pensado para competir no grupo B, aparece o primeiro Porsche 4×4, o 959, apresentado como prototipo em 1984. Debutó em competição no Paris-Dakar 1985. Os atrasos na produção supuseram que não pudesse ser homologado dantes da proibição do grupo B em 1987, pelo que o Super-Porsche não pôde chegar ao mundial de rally. Os 250 exemplares fabricados converteram-se, junto ao Ferrari F40 e ao Lamborghini Countach, nos superdeportivos por excelencia dos 80.

A crise e a nova descolagem

Desde finais dos 80 os resultados e as vendas da empresa se resienten e começam-se a acumular falhanços. Estava a cozinhar-se uma crise que chegou a pôr em entredicho a sobrevivência de Porsche a princípios dos 90. Em 1984,as vendas de Porsche eram de 50.000 carros; a princípios da nova década eram a metade. Especialmente alarmante foi a queda de vendas nos Estados Unidos: em 1984 absorvia o 50% da produção enquanto em 1991 só se conseguiu vender 6.000 Porsches.

Isto se refletiu na gama de modelos. Em 1988 retira-se o 924, sem ser substituído. Em 1991 aparece a última versão do 928, o 928GTS que seria retirado sem pena nem glória em 1995. Também em 1991 se apresentou o 968 como sustituto do 944, que foi um rotundo falhanço. Deixou-se de fabricar em 1995 após 11.602 unidades ensambladas, muitas menos do previsto. O 911 estava a envelhecer em frente à concorrência, devia mudar e em 1989 apresenta-se o 911/964, que tinha a missão de ser o sustenta de Porsche para os seguintes anos. O novo 911 foi incapaz de cumprir com sua missão. Ademais, a construção do 911/964 resultou ser muito cara.

Com este panorama, Porsche entrou na década dos 90 com uma enorme preocupação. Só lhes ficava uma carta e não podiam se equivocar. Tinha-se que simplificar a gama para recortar despesas e tinha que concentrar os recursos financeiros na criação de um 911 de sucesso. Encarregou-se a um veterano da marca, Peter Falk, a elaboração de um amplo dossier sobre o que definir-se-iam as pautas de desenvolvimento do futuro 911/993. Neste dossier se antepone antes de mais nada a agilidad. Assim o novo modelo devia girar em torno de agilidad, comportamento e juventude. Para melhorar a agilidad decidiu-se rediseñar por completo o comboio trasero. Ao final o 911/993 não herdou nada do 964 a excepção da linha do teto. Por outro lado, a simplificação da gama foi radical, ficando o 911/993 como único modelo durante alguns meses em 1995-1996.

O 911 Carreira coupé (993) debutó em dezembro de 1993, com um novo motor que oferecia 272 CV. O 993, a diferença de seu antecessor, sim foi um sucesso; recuperaram-se as vendas e foi rentable. Isto fez que com o tempo o 993 fosse ampliando o número de carrocerías e recebesse um ligeiro aumento de potência até 282 CV. À gama 993 acrescenta-se-lhe o novo Turbo de 408 CV em 1995, e mais tarde, chegou o Turbo S de 450 CV. em edição limitada.

Ao conseguir superar o bache económico, a marca animou-se a produzir o Boxster em primavera do 96, ainda que o prototipo tinha sido apresentado três anos dantes. O Boxster tinha-se desenvolvido em conjunto com o futuro 911/996 que sairia em 1997. O objectivo era que ambos veículos compartilhassem o maior número de peças possível para conter os custos e melhorar a productividad (duas causas dos problemas económicos dantes mencionados).

1997 foi um bom ano para Porsche. Tinha-se deixado atrás as dificuldades, o 993 era um sucesso, o Boxster vendia-se bem, se começava a recuperar sua imagem e a gestão realizada pelo novo presidente, Wendelin Wiedeking, parecia eficiente. Ademais, saía ao mercado o novo 911, o primeiro com motor refrigerado por água. Leste foi o último modelo da marca a cuja apresentação foi Ferry Porsche, que morreu o 27 de março de 1998. Em 2003, Porsche celebra o 40 aniversário do 911 da melhor forma possível porque o 911/996 converteu-se em um dos melhor vendidos desta longeva saga, e o fez com uma edição limitada de 1963 exemplares do 911, com um desenho mistura de 911 básico e a Carreira 4S, e uma evolução do motor até 345 CV.

Em 2002, Porsche inaugura sua nova fábrica em Leipzig, de onde saem os novos Cayenne, o primeiro Porsche todo o terreno e o primeiro em poder ser utilizado para viajar com a família. O Cayenne supunha entrar em um segmento bem mais grande que o dos desportivos, como o demonstra seu nível de vendas, em torno de 30.000 unidades anuais. Em 2003, acrescenta-se o superdeportivo Carreira GT de 612 CV. Ao ano seguinte renovam-se o Boxster e o 911, e em 2005 aparece um quinto modelo, o Cayman derivado do Boxster e o 911. Também tem anunciado sua intenção de comercializar uma berlina de 4 portas para 2009 com o nome de Panamera, e recentemente também se rumorea a respeito de um supercoupé derivado dessa berlina.

Na actualidade Porsche é o fabricante de automóveis mais rentable do mundo por unidade fabricada. Dá emprego a mais de 10.000 pessoas. Em 2005 converteu-se no accionista maioritário de Volkswagen. Ainda que a gestão da empresa se profesionalizó na década dos 70, a família Porsche segue retendo a maioria das acções sendo Ferdinand Piëch o maior accionista individual.

Site oficial: Porsche

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